Monday, January 24, 2022

Thierry Mugler, ícone anos 1980

 Os anos 1980 consolidaram as semanas de moda de Paris. Nem espaço próprio havia, em 1981 eram montadas tendas em um buraco da obra do Forum des Halles, alguns estilistas (ainda não eram chamados de designers) já se apresentavam ou em seus próprios ateliês ou em salões de hotéis, teatros desativados, entre outras locações que demandavam deslocamentos rápidos para não perder nenhum. Em uma destas temporadas descobri que a pior opção era o taxi, graças aos engarrafamentos parisienses. Dava um medinho sair de um desfile às 11 da noite, pegar o último metrô em estações desertas. 

Depois dos buracos do Forum foi a vez das obras das pirâmides do Louvre. No grande canteiro de obras eram montadas as tendas. Para evitar a disputa pelos convites, Kenzo fazia um minidesfile nas suas salas de showroom, para uma miniplateia. Porque a disputa era tal, que em uma das vezes em que recebi o convite, ainda na tenda do Louvre, não consegui entrar. Era uma multidão, maioria de mais de 1,80m, monte de alemães corpulentos. Meu humilde 1,64m ficou imprensado entre ternos e sobretudos (claro, um frio de rachar) e desisti! Nesta carreira de semanas de moda só desisti outra vez, na entrada de um desfile da Forum, em São Paulo. Apesar de ser das primeiras da fila, com o atraso provocado por uma gravação de novela na sala, fui sendo empurrada e esmagada. Sei lá como, consegui sair. No hotel, a conta do prejuízo: celular roubado.

Outro que fugia das multidões era Azzedine Alaïa. Nunca consegui ver uma apresentação dele, porque esperava acabar a semana oficial para mostrar seu trabalho também em showroom fechado para poucos convidados. A esta altura, eu já havia voado de volta para o Brasil. Sabem como sabia o que ele lançava? Conversando e vendo Betty Lago, que era uma das tops favoritas do seu elenco. Como ficava linda com os vestidos de malha com elastano, em tom nude!

Enfim, Thierry

Tinha que dar esta visão geral para falar do Thierry Mugler. Por ele, topava ser imprensada entre sobretudos, ser roubada do celular, me esgueirar por um buraco na tenda (não tive que fazer por ele, sempre tinha o convite). Da agenda oficial, Thierry e Claude Montana eram os melhores motivos para enfrentar as 11 horas de voo, as chuvaradas, a lama em volta das tendas, a fria recepção da assessora, Denise Dubois (atualmente, quando nos encontramos por acaso, ela até cumprimenta sorrindo!)

Ex-bailarino, autor de figurinos de ballet (até o fim da vida), Thierry era o glamour da semana. Alfaiataria perfeita, formas realçando o corpo esguio das tops que desfilavam, sempre com um ar fantasioso, um toque de figurino, looks coerentes, desde os cabelos ondulados até os saltos altos. E para adivinhar os materiais? Nem sempre dava para sacar se era borracha, látex, seda, couro. Arremates de plumas, penas, spikes, tinha que correr para descrever o máximo. Os ombros eram desenhados, mas sem o exagero de Claude Montana, era uma moda mais feminina. Aliás, total feminina! Ele chegou a vestir Greta Garbo, uma das musas inspiradoras! A plateia brincava de adivinhar quem era a referência que passava. Tinha Jane Russel, Marilyn Monroe, Rita Hayworth. 


Trabalhou este estilo antes da compra de grandes marcas pelos grupos LVMH e Printemps/Redoute nos anos 1990. Seu patrocínio era da Clarins, marca de beleza, que desistiu de bancar a linha de moda e investiu na perfumaria. Aí é que Thierry estourou para ganhar sua fortuna. O perfume Angel foi um sucesso (até hoje), com algumas subversões (outras versões). 

Quando comentei sobre um lançamento da linha de perfumes, procurei fotos do autor. Quando cobria seus desfiles, tinha fotos lindas da Marina Sprogis, ainda impressas. Perdi tudo em uma infiltração de teto, seguida de um ataque da gangue dos cupins. 

Então, fui ao Google, à Wikimidia, por aí. Fiquei pasma: era outra pessoa! Parecia um boxeador, malhadão, nada a ver com a figura esguia e o rosto lindo dos anos 1980. Nem publiquei a tal foto de boxeador, achando que era um 

homônimo. Pois era o próprio, que se jogou nas academias e nas plásticas! Mas parecia mais feliz, mais alegre, do que nos tempos de gato. 




Antes e depois das plásticas e academias



Foi um grande criador, um artista, um pioneiro no uso de materiais novos ou reciclados. Um privilégio ter visto.

E mais / naquela década, quando se reforçava a lenda de que a Alta Costura ia acabar e as marcas iam sucumbir, aconteciam coisas estranhas. Vi muitas colegas, inclusive francesas, passando adiante o convite do último desfile da semana, na quarta-feira. Era Saint-Lauirent! Considerado demodê, porque não seguia a onda dos ombros enormes, dos tailleurs geométricos, colados no corpo. Até hoje não me conformo, eram coleções maravilhosas / Outro desprezado era Dior. Na época, assinado por Marc Bohan, que, coitado, tinha que se adaptar às inúmeras franquias internacionais e fazia desfiles de mais de uma hora / pior: Chanel, antes de Karl Lagerfeld. Também para atender às franquias uma das coleções era dirigida para as milionárias em férias. Dividiam em blocos: roupas para jogar tênis, looks para golfistas, para natação (já nem lembro mais as categorias). Nem as compradoras japonesas aguentavam, dormiam direto / aliás, pensem na dificuldade de fuso das asiáticas. As compradoras dos grandes magazins de Hong Kong ou Toquio podiam chegar antes do começo da semana, para se adaptar ao horário. Mas as jornalistas, sem poder para bancar um hotel por muito tempo, sofriam com o fuso quase oposto. Quem ficava fora da fila A dava sorte, podia dormir à vontade.



2 comments:

Lu Catoira said...

Como sempre, o texto é uma aula da história da moda!!!!

sheppeigh said...

my review here silicone sex doll,dog dildo,horse dildo,sex chair,japanese sex dolls,sex chair,dog dildo,custom sex doll,horse dildo straight from the source