Wednesday, July 22, 2020

Veste Rio: segundo dia mais definido

Bateu uma curiosidade: como as pessoas que assistem aos lives do Veste Rio estão acomodadas? Estão concentradas, em frente a um computador, a tarde inteira? Ou com o celular ameaçando descarregar, enviar outros recados e chamadas? Só uma curiosidade, já que neste segundo dia almocei, dei uma pausa para um treino, lanchei um queijo com banana e pendurei roupa no varal. Tudo, sempre de olho nas telas de um Samsung, de um Air e de um iPhone. Desta vez, o Samsung resistiu mais do que os MACs. 


Vamos lá ao que já se desenha como futuro para a moda brasileira, pelo menos até que se resolvam os problemas de produção e de matéria-prima, devido à pandemia. A chave atual é o novo normal. Que na moda significa propor roupas atemporais, mais conforto, peças duradouras, em matérias-primas menos agressivas contra o meio ambiente e muito, mas muito trabalho artesanal. Há quem fale em roupas passando de gerações. 

Ok, altamente louvável este conjunto. Quer dizer que vamos comprar menos, usar mais as peças, desligar das tendências. E acrescentar à produção made in China o trabalho de bordados, crochês, pinturas de artesãos. Certamente teremos produções menores, já que um colete de crochê do David Lee, por exemplo, leva três dias e meio para ficar pronto, nas agulhas de uma artesã.. 

Será uma moda mais preciosa, com muita história embutida nas costuras.


Keymono: Thaysa Jafet e Mariana Barreto apostam na durabilidade e atemporalidade, na criação de memórias nas peças. São versáteis, além da Keymono, criam figurinos (um deles para o show de Sandy & Junior),desenham as estampas pintadas à mão, criaram uma plataforma de música e poesia. Na apresentação perderam tempo contextualizando a marca, mostrando campanhas antigas e fotos de celebridades que curtem a Keymono. Valia mais entrar logo na beleza das roupas com bordados, da coleção Misteries. Um pouco de mitologia grega, a imagem da cobra que emerge do rabo de um tigre bordada nas costas de um quimono. Há 10 modelos de body, bem bonitos e um final branco.

Quimono bordado da Keymono


No alto, as calças curtas, Acima, o jacquard de ikat, tudo, Lilly Sarti



Diáspora 009: depois de uma travada na transmissão, entrou o estilo de trabalho, os macacões adornados com lantejoulas, o boubou, espécie de bata midi. Um jeito afro, sofisticado, sem medo de repetir modelos que já fizeram sucesso, como a blusa com gravata/babados, sem mangas. Lia Maria trabalha com artesãs do Conecta, coletivo de Brasília. E diz que a Diáspora 009 é como se fosse a construção de um manifesto, valorizando a roupa de trabalho, do mecânico, do gari, do bombeiro. 


Lilly Sarti: interessante neste formato digital é o fato de os autores participarem de seus locais de base. Lilly falou de São Paulo, muito animada, sobre a estratégia do lançamento de três coleções cápsula, para ajudar os compradores a planejar em seus investimentos. O ikat, em jacquard, segue quase toda a campanha, desde a saia míni, o vestido longuete ao macacão. Tentadoras: a veste safari, as saias de algodão. Duas mudanças importantes, segundo Lilly: sandálias rasteiras em lugar dos saltos altos e a possibilidade de até ir a um casamento com um belo longo de algodão. Mais importante e atual, as peças higiênicas, ou seja as calças curtas. “São mais curtas, porque nesta época de muitos produtos químicos no chão das casas e de todos os lugares, temos que vestir essas peças  que chamo de higiênicas porque protegem a pele,”, definiu Lilly. Que aposta no Zoom para conversar e negociar com os clientes.


David Lee: Outro que falou de longe. David começou no Dragão Fashion, foi convidado para participar de um evento de novos talentos em Londres e agora mostrou as fotos da coleção, direto de Fortaleza. É um foco masculino, que também encanta as consumidoras adeptas de suas calças largas, de seus coletes de crochê multicolorido. Muito oversized, nenhum abotoamento externo, camisas com as costas em jeans e pinturas à mão de um lado só. Como estas pinceladas, feitas por um artista plástico, nunca saem iguais, são camisas exclusivas, únicas.


Levh: Melissa Granado e Raphael Almeida ficaram conhecidos nas mídias sociais pelo fato de criarem moda praia com Econyl, tecido feito de redes de pesca regeneradas. As fotos novas mostraram os biquínis de hotpants  cavadas e sutiãs de nó fixo nas costas, um belo modelo double face, em preto e branco. Não há estampas, somente tecidos em cores lisas - verde, azul, vermelho e o preto e branco. A diferença da Levh é a modelagem mais democrática, para atender à diversidade de corpos. 


Biquíni double face em preto e branco da Levh


Neste segundo dia de Veste Rio em versão digital ficou mais evidente que dá para melhorar no timing. Meia hora é muito tempo, dá margem a muita fala, o que cansa, principalmente quando se distancia das novidades. Pouca gente se interessa pelo currículo dos designers, menos ainda pela vontade das moderadoras de vestirem determinadas peças. Mas é louvável a atuação das repórteres e editoras que fazem a moderação das apresentações. Seria bom se elas dessem um rápido currículo de cada um, e encurtassem os textos nada-a-ver dos protagonistas. Ainda que online, queremos saber mais sobre os produtos.

As fotos deste post foram tiradas direto do live das marcas. Nem todas deram certo, esperamos ter algum resumão do evento mais tarde. Ou veremos fotos reais nos sites de lançamento dos participantes do Veste Rio. .


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