Saturday, January 27, 2007



Maria Bonita, enganadora

Trompe l’ oeil é técnica de arte que reproduz e distorce a realidade. Ela engana o olhar, como fez a estilista Daniele Jensen na coleção da Maria Bonita. Tramas de pied-de-poule que na verdade são estampas, regatas de paetês sobre vestidos, que são aplicacões, falsos fechos nas costas de alguns casacos e até uma das peças-chave da temporada, o cardigan de tricô, é estampa fotográfica do clássico modelo de tranças, registrada pela artista gráfica Ana Laet.
O trabalho de Daniele Jensen combina com o da diretora e cenógrafa de teatro, Daniela Thomas. Há sempre algo mais, além da moda, no show. Nesta edição, a Thomas preencheu o centro da sala 1 com pilares de madeira recobertos de vinil preto. Vinil, em vez de madeira de reflorestamento, que seria mais de acordo com a proposta geral da semana?
“ Pois é, nada sustentável”, Daniela se apressou a comentar, antes do desfile, “mas temos que pensar que nada, nem petróleo, poliéster, etc, será riscado para sempre. Vamos mudar aos poucos, aproveitar as coisas legais do passado e inventar coisas maravilhosas para o futuro”. Além do fato de serem em vinil, as colunas provocaram o atraso de pouco mais de uma hora, porque atrapalhavam a visão dos filmes dos patrocinadores.

Rodapé / primeiro comentário da Malba Paiva, sócia na marca há 31 anos: “gostei das roupas, mas não gostei das modelos”. Era o choque das perucas de franja e corte reto, a maquilagem clara, e a atitude dura na marcação. Trata-se de uma nova beleza, assinada por Celso Kamura / um convidado lendo o cartaz do evento de showrooms, dentro da Bienal: “o que é isto? Who use? “(quem usa, em inglês macarrônico) . O nome escrito era SPFW House, e o desligado leu só uma parte do título