Monday, January 15, 2007

Começou o Fashion Rio!



Como sempre, os trabalhos foram abertos pela coletiva de imprensa, desta vez intermediada pela Betty Lago. Magra, de mecha branca no cabelo (como aparece na novela Pé na Jaca), saia cáqui e blusa com cinto, sandália rubi, tudo Andrea Saletto, Betty aproveitou para declarar que hoje ela pode ser atriz, apresentadora, participante de Saia Justa, mas tudo o que tem e é atualmente, deve à moda.


Eloysa Simão, com decotado vestido da Clube Chocolate, comparou que no primeiro evento que produziu, contava com US$ 15 mil, era o tempo da Semana de Estilo Leslie. “É inegável o crescimento do evento. Agora temos que achar o preço justo er a fórmula certa dos nossos produtos. Vamos parar com a visão cega de quem acredita que Índia e China só fazem bobagens. O caminho é o design, a riqueza do nosso artesanato”.


Muita gente! Daí o convite ao designer Muti Randolph, que fez ilustrações e esculturas baseadas nas tramas de palha, renda e tear manual. Na edição de verão do Fashion Rio Eloysa pretende discutir estes caminhos de artesanato + design com participantes dos países vizinhos, da América Latina.

Mas ela contou que sete entre cada 10 entrevistas que deu antes do Fashion Rio versavam sobre...anorexia. “É um problema, uma epidemia moderna, como o pânico. O mercado da moda é um reflexo da sociedade. Enquanto a sociedade exige que as pessoas sejam magras, as modelos continuarão magras”. Durante a programação desta semana, teremos uma psicóloga discorrendo sobre “o insustentável peso da feiúra”. Confesso que achei engraçado o título.

Números impressionantes
A cada Fashion Rio Eduardo Eugênio Gouvea Vieira, presidente da Firjan, está mais informal. Abandonou o terno-e-gravata, estava de camisa florida, calça branca e sandálias, tudo Richards. Chamou para o lançamento do projeto A Moda pulsa, no lounge da Firjan, e citou alguns bons números. Os pólos do estado do Rio compreendem quatro mil pequenas empresas e empregam 92 mil pessoas. E que o Fashion Business, que está na 9ª edição, e já é o maior evento de negócios da moda do continente, provocou um aumento de 58% na exportação do setor .
Outro número estarrecedor: oito milhões e quinhentas mil pessoas trabalham com artesanato no país.

Fernando Pimentel, da Abit, também contribuiu com dados numéricos:
O Brasil é o sétimo parque produtivo de têxtil do mundo
O setor é o segundo maior empregador
Em 2006 a Índia faturou entre US$ 15 e 18 bilhões, e 20% da produção ainda é feita em teares manuais
“Mas quando saímos da porta da fábrica, começam as dificuldades. E ficamos em 42º lugar entre os países que exportam”, completou Fernando.

Julio Bueno, secretário de desenvolvimento do Estado, definiu bem o Brasil. “Temos três agendas. A do século 19, que assegura direitos civis, acaba com o analfabetismo, o trabalho escravo. A do século 20, do petróleo, do gás e da siderurgia. E a do século 21, a agenda da inovação, da economia, da cultura e tecnologia. O Fashion Rio cumpre a agenda do 21. “

Intervalo / Eloysa riu muito, porque perguntei se o recheio do decote era todo dela. Era / Marcelo Iabrude, da Tear Gas, bonito como sempre, de calça jeans, camiseta preta e sapato de bico fino. Ele vai abrir o Rio Moda Hype com forte manifesto contra o uso de peles na moda / outro sapato de bico fino, lindão, do Alexandre Schnabl / Eloysa tem pulseiras de estimação do Carlos Rodeiro e de palha do Jalapão

A Moda Pulsa
Altamente louvável a campanha inspirada por uma similar americana. A nossa, liderada pelo Dr. Hans tem como musa a Layana Thomaz, que aos dois anos operou de estenose pulmonar, depois, novamente aos 18, para um enxerto de válvula. E aos 26, mais uma cirurgia, para novo transplante de válvula, porque a anterior tinha prazo de validade . A cicatriz no colo comprova esta saga.
Para a Firjan, este movimento foi motivado porque souberam de um grupo de mulheres hipertensas que faziam tricô para aliviar a tensão. O Dr. Hans (o sobrenome está no cartão, depois revelo) contou que o coracão mata 10 vezes mais do Aids e câncer, entre mulheres. Ui!

Intervalo / Ana Clara Herrmann, que organizou o Salão do Acessório, estava com vestido-túnica preta, com aplicações de pedras, da Caroline Kranz, que lançou a marca Les Sables d’Ipanema / Marta Magri, do Senac São Paulo, anunciou o curso de técnico em visagismo, juntando beleza e moda. Serão 800 horas/aula, durante um ano. Um verdadeiro upgrade para os profissionais de salão. Em breve as info estarão no site www.sp.senac.br / a caminho do camarim da Lilica encontramos Walter e suas modelos, já penteadas e maquiladas. Ele, de bermuda! E camiseta preta, com alfinetes dourados na barra. Comentário “estou louco que isso acabe”. Ninguém agüenta o stress antes dos desfiles / no lounge da Firjan, o chef Écio faz comidinhas saudáveis, boas para o coração

19h: Lilica Ripilica
Vestidos estilo quimono, bordados de porcelana e pregueados de origami justificam a inspiração japonesa que a equipe liderada por Deborah Barros criou para o inverno daqui e do mundo, já que a marca de Santa Catarina tem lojas e vende para varios países. Em destaque, os casaquinhos curtos de malha, os mais longos, de corte ajustado e a linha de acolchoados em tons de rosa. A combinação de verde e arroxeado, com toques de marrom, compete com os rosados e lilazes típicos da marca. Os tricôs têm lurex na trama, as meias são estampadas, vermelhas, as menininhas lindas levaram muito bem a coleção sobre a passarela de esteirinha.
É isso aí, roupa de criança, sem perder a atualidade. No final, a neve de isopor completou a fantasia da moda que é a Lilica Ripilica

Acessórios: botas de cano longo, solado injetado, bolsas e sacolas nos mesmos tecidos das roupas. Luvinhas, toucas e echarpes fininhas de tricô

19h10



Intervalo / segundo Giuliano Donini, um dos sócios do grupo Marisol, a loja da Lilica em Milão está indo bem. “Diria até que ela surpreende, porque superou as expectativas”, arrematou. / as minimodelos eram da agência Désir, de Niterói / Rafaela Rômolo passou dois looks / Isabel Fillardis não perde um desfile da Lilica, sempre traz a filha / Zelia Lewandovski deixou por uns dias o salão Mirage, de Porto Alegre, e veio maquiar e pentear as lindinhas. “Elas ficam com sono, quando estou maquilando”, comentou / em seguida, rumo ao Gabinete de Leitura, perto da Praça Tiradentes, para ver o Walter. Por sorte, há um serviço de vans levando.





20h15: Walter Rodrigues
Bonito é pouco. Tudo deu certo. O cenário dos três andares de biblioteca, do Real Gabinete Português de Leitura, o tamanho da sala, a trilha do Felipe Venâncio. E a moda, naturalmente, resultado de viagens pela China e pela Guatemala. Se eliminarmos os cabelos enrolados das modelos, concluímos que foi um dos desfiles mais fáceis de usar do Walter. A contribuição das flores recortadas de tricô, feitas pela Apoena, os acabamentos brihantes da Hak, de Nova Friburgo, as roupas em couro dourado da confecção de roupas de motociclista, tudo parece orquestrado e funciona em harmonia. Muito jeans em vestes, primorosas calças de alfaiataria justas ou soltas e vestidos de bailarina, em tule preto, foram destaques.
20h28